Células-tronco são usadas em implante dentário

Cirurgia pioneira no país utilizou essas células para auxiliar na reconstituição de tecido ósseo bucal. O procedimento, que se destina a acelerar o processo de integração entre implante dentário e osso maxilar, foi realizado por uma equipe do Hospital São Lucas (HSL) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Para que as células-tronco proliferem e se especializem, é necessário que elas sejam estimuladas por fatores de crescimento. Em ambas as experiências precursoras, o fator de crescimento utilizado foi a proteína morfogênica tipo 4, um composto sintético. No caso da cirurgia, as células foram transpostas para a região bucal com fatores de crescimento não-sintéticos, provenientes de plaquetas sangüíneas do próprio paciente.

Com o auxílio de uma seringa especial, foi feita uma punção de cerca de 40 mililitros de sangue da medula óssea da crista ilíaca. No Laboratório de Biologia Molecular do HSL, a amostra passou por um processo de centrifugação e separação. Selecionadas, as células-tronco mesenquimais foram então misturadas a um composto químico para ter sobrevida de seis horas. No momento da cirurgia, o fator de crescimento de plaquetas foi misturado às células.

“Alcançamos os resultados esperados”, comemora o cirurgião-dentista Gilson Beltrão, que coordena as pesquisas. A expectativa é de que, após a cirurgia, o crescimento ósseo se complete em aproximadamente 90 dias; sem o uso das células mesenquimais, esse prazo costuma chegar a 270 dias.

A técnica empregada pela equipe de Beltrão tem duas finalidades possíveis: unificar osso e implante em uma mesma estrutura ou promover o crescimento do maxilar antes do implante. Beltrão lembra que, se o paciente não tiver um volume mínimo de osso na região, o implante se torna praticamente inexeqüível.

A equipe estuda também a possibilidade de transformar as mesmas células-tronco em tecido epitelial da gengiva, embora seja necessário o desenvolvimento de outras técnicas para se alcançar esse resultado.

O custo de um implante convencional diminuiu bastante nos últimos anos e pode cair ainda mais com o uso de células-tronco mesenquimais. Segundo Beltrão, o material usado não é dos mais caros, e as despesas com acompanhamento clínico devem cair com a redução no tempo de crescimento do tecido ósseo. A equipe da PUCRS tem um objetivo ousado: chegar à constituição de dentes em laboratório a partir de células-tronco. Mas por ora ninguém se arrisca a fazer previsões sobre o tempo necessário para a realização desse feito.


Referência: CH Online/PR - 2006.