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Pais podem causar infecções na boca dos filhos
Bactérias causadoras de infecções na cavidade oral podem ser transmitidas da mulher para a criança através da saliva.
Por Agência Notisa

“Não se esqueça de escovar os dentes após as refeições e antes de dormir!” Essa frase, exaustivamente repetida pelas mães, reflete a preocupação que elas têm de manter o sorriso de seus filhos sempre saudável. Porém, é preciso que as mães estejam cientes de que a sua própria saúde bucal interfere na de seus filhos. Isso acontece porque, nas falas e nos beijos, a criança fica exposta a bactérias eventualmente presentes na saliva da mãe. É o que alerta pesquisa realizada por Odila Pereira da Silva Rosa e sua equipe, da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo.

“Se os primeiros anos de vida são críticos em relação à aquisição de certos tipos de bactérias, é bastante provável que muitas crianças adquiram microrganismos de seus pais ou de outras pessoas com quem têm relacionamento próximo”, afirmam os pesquisadores em artigo publicado na revista Pesquisa Odontológica Brasileira, em dezembro de 2002. “Transmissão materna ou intrafamiliar tem sido considerada um meio de infecção concebível em crianças, e a saliva, o principal vetor de transmissão bacteriana”, dizem também.

Odila e sua equipe investigaram 30 mães, de 21 a 40 anos, e seus filhos, com idades entre cinco e seis anos. As pessoas estudadas, residentes na cidade de Bauru (SP), “apresentavam boa saúde no geral, não tinham tomado antibióticos nos três meses anteriores, e não usavam aparelhos ortodônticos nem próteses”.

Os pesquisadores descobriram que bactérias causadoras de infecções orais estavam presentes em sítios subgengivais e, principalmente, na saliva das mães estudadas. Eles avaliaram a ocorrência de Actinobacillus actinomycetemcomitans, Prevotella nigrescens, Porphyromonas gingivalis e Treponema denticola, constatando que esses microrganismos eram encontrados na cavidade oral de 100%, 93,3%, 80% e 36,7% das mulheres, respectivamente. “Apesar da prevalência mais baixa, o padrão de ocorrência de microrganismos foi similar nas crianças: 36,8%, 31,6%, 10,5% e 5,2% para A. actinomycetemcomitans, P. nigrescens, P. gingivalis e T. denticola, respectivamente”, afirmam Odila e sua equipe no artigo.

Ainda no artigo, os pesquisadores dizem que o padrão de freqüência em que bactérias causadoras de doenças orais são encontradas nas mulheres e crianças “não apenas sugere a transmissão de mãe para filho, mas também aponta a saliva como um possível veículo para essa transmissão”.