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A Boca: por onde entram e de onde podem sair coisas boas ou nocivas
A face humana é divina. De forma existencial única, tem a possibilidade de variar a expressão de um momento a outro, voluntariamente ou não, segundo inúmeras condições. A face é porção reveladora do nosso ser, possuindo uma capacidade de comunicação não verbal das mais eficientes.
Por Drª Profª Maria Cristina Ferreira de Camargo – Odontopediatra / imagem ElenaKharichkina
 

Em sua parte inferior, coberta pelos lábios e por outros músculos faciais, encontramos a boca que, responsável pela comunicação verbal, é a abertura superior do tubo digestivo, pela qual os homens e outros animais, ingerem os alimentos.

Forrada por mucosa, tecido delicado e macio, a boca é o continente que abriga a língua e os dentes. Seu ambiente é quente, úmido e, por estar fechada, quando em repouso, é escura e desprovida de iluminação.

Desempenha função ativa na digestão, uma vez que é a sede da mastigação e da insalivação -o ato de impregnar o alimento de saliva- que, triturando e agregando as partículas e, em parte transformando-as quimicamente, iniciam a digestão.

Por ela podem entrar como também podem sair elementos benéficos ou nocivos para a vida. Poderão por ela passar, desde alimentos saudáveis, integrantes de uma dieta equilibrada, até a fumaça de um cigarro tão nocivo à saúde. Em sentido inverso, pode a boca expelir, pelo vômito, substâncias devolvidas pelo estômago.

A Multiplicidade da Boca

O termo “boca” reúne, a um tempo, entrada e saída, e até por isso, é usado para designar tantas outras coisas, como qualquer tipo de abertura, ou corte, que dê idéia de bocal. A entrada de rua, a embocadura ou a foz de um rio, o desfiladeiro, que dá acesso a um planalto ou o próprio anoitecer, a que chamamos de “a boca da noite”.

Pode ainda designar a extremidade inferior de uma calça, por onde passam as pernas, a abertura no fogão, por onde sai o fogo ou, até, exprimir algo que se tenha na alma, colocando a “boca no trombone”.

A boca possui cinco funções: somada aos importantes exercícios de sugar, deglutir, mastigar e respirar, encontramos uma quinta função, que poderíamos considerar uma função de saída, a que denominamos fala, a faculdade de expressar idéias por meio de sons articulados pela boca.

Dela podem sair palavras, as expressões do pensamento. Através dela, podemos expor sentimentos, exprimir emoções, discorrer, discursar, declarar, combinar, ajustar, ensinar, anunciar, fazer compreender ou explicar.

Como bem lembra Latino Coelho: “De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil, é sem dúvida a arte da palavra”. No entanto, tal qual a abertura do cano da arma de fogo, por onde sai a bala, coisas ruins, proferidas com intenção injuriosa, palavras ou sentenças, contrárias à razão, à justiça, ao dever, à virtude, podem da boca sair.

Nos dias atuais, nestes tristes tempos, muitos estão vivendo as angústias provocadas por palavras que expressam inverdades. Nunca imaginamos que através delas viriam a impunidade, a violência, o protecionismo, as conveniências, a prevaricação, o rancor e a cobiça.

Estamos vivendo uma fase de muito desrespeito às leis. Para uns, todas as leniências, para outros, todas as violências.

Parece que não nos resta outra alternativa senão a de pedir a Deus que, por sua justiça, ilumine cabeças, fazendo com que a face do homem transmita confiança e de sua boca só saiam sentenças com palavras de justiça e honestidade.